Localizado no coração de Campina Grande, no encontro da Avenida Floriano Peixoto com a Rua Maciel Pinheiro, o Palácio do Comércio materializa uma antiga aspiração dos empresários que construíram a história da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande. A implantação da sede definitiva foi resultado de um processo que atravessou diferentes gestões e levou anos até a conclusão do edifício como originalmente projetado.
Antes do atual prédio, a Associação já havia buscado estabelecer uma sede própria. Em 1939, durante a presidência de João Rique, a entidade adquiriu um imóvel ainda em construção. O prédio, posteriormente incorporado formalmente ao patrimônio da Associação, ficou conhecido como “Palacete do Comércio” e estava localizado na Rua Presidente João Pessoa.
Com o crescimento da ACCG, porém, surgiu a necessidade de uma estrutura maior. No início da década de 1950, João Rique voltou a defender a construção de uma nova sede, que chegou a chamar, em seu discurso de posse, de “Palácio do Comércio”.
Um passo decisivo ocorreu no final de 1951. O então prefeito Plínio Lemos sancionou decreto doando à Associação Comercial um terreno situado na esquina da Avenida Floriano Peixoto com a Rua Maciel Pinheiro. Avaliada em 150 mil cruzeiros, a área havia abrigado anteriormente a residência do Monsenhor Sales. Em reconhecimento à iniciativa, Plínio Lemos recebeu o título de sócio benemérito da ACCG.
Em 1953, já sob a presidência de Severino Cabral, a Associação vendeu o imóvel da Rua Presidente João Pessoa por 400 mil cruzeiros. No mesmo ano, em outubro, o prefeito Lafayete Cavalcanti concedeu a licença para a construção da nova sede.
As obras avançaram durante o segundo mandato de Severino Cabral, entre 1954 e 1955. Para viabilizar o empreendimento, foi contraído junto à Caixa Econômica Federal um empréstimo de até 5 milhões de cruzeiros. Em novembro de 1955, a ACCG já se reunia na nova sede, na Avenida Floriano Peixoto, nº 412, para eleger Newton Vieira Rique para a presidência da entidade.
O projeto, entretanto, ainda não estava concluído. A primeira etapa chegou ao terceiro pavimento. Durante a administração de Newton Vieira Rique, mais um andar foi acrescentado. A conclusão ocorreu na gestão de Antônio Almeida Barreto, quando foram construídos os dois últimos andares previstos.
Em 9 de agosto de 1962, a Associação realizou uma solenidade que marcou a inauguração das obras do edifício, então denominado “Palácio do Comércio e da Indústria”. O prédio passava a contar com os seis pavimentos previstos no projeto.
A Federação das Indústrias teve participação importante na conclusão do empreendimento. Segundo o Memorial, a entidade adquiriu dois pavimentos e equipou o edifício com elevador. A ampliação também incluiu um salão de recreação e outras estruturas destinadas ao funcionamento da sede.
Ao longo das décadas seguintes, o Palácio do Comércio passou por reformas, adaptações dos espaços internos, modificações no elevador e serviços de pintura, acompanhando as necessidades da Associação.
Mais que um endereço administrativo, o edifício tornou-se parte da paisagem histórica do centro de Campina Grande. Erguido em uma das áreas mais tradicionais do comércio local, o Palácio do Comércio permanece como testemunho físico da trajetória da ACCG e da participação do empresariado no desenvolvimento da cidade.
