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| Largo da Rua Grande na década de 1930 |
Muito antes da fundação da Associação Comercial, em 1926, os comerciantes já exerciam papel relevante nas transformações de Campina Grande. O crescimento dos negócios exigia melhores condições de transporte, energia, abastecimento de água e infraestrutura urbana, fazendo com que os interesses do comércio se relacionassem diretamente com o processo de modernização da cidade.
O Memorial da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande – 90 anos de história mostra que essa atuação antecedeu a organização institucional da classe empresarial. Os agentes do comércio agiam de maneira conjunta, ainda que extraoficialmente, cobrando melhoramentos considerados necessários para acompanhar o crescimento econômico e populacional.
Um dos marcos desse processo foi a chegada do trem, em 1907. A ferrovia ampliou as possibilidades de circulação de mercadorias e fortaleceu a vocação comercial de Campina Grande. A ligação entre a estação e o centro, entretanto, também exigiu intervenções urbanas. Entre elas esteve a construção de uma estrada de rodagem para facilitar o acesso, no trecho correspondente à atual Rua Irineu Joffily.
Outra necessidade era o abastecimento de água. O intenso movimento comercial atraía diariamente à cidade grande quantidade de animais utilizados no transporte de pessoas e mercadorias. Segundo o Memorial, os comboios que chegavam a Campina Grande reuniam cerca de 2 mil animais por dia, aumentando a demanda por água e tornando necessárias intervenções no sistema existente.
A energia elétrica foi outro passo importante. Após anos de reivindicações, o serviço chegou aos principais logradouros de Campina Grande em 1920. A Rua Grande, atual Maciel Pinheiro, onde se concentrava grande parte das lojas, esteve entre os primeiros espaços beneficiados.
Mesmo inicialmente precária, a eletrificação abriu novas possibilidades para a economia local. Empresas passaram a investir em equipamentos modernos, inclusive máquinas utilizadas no beneficiamento do algodão. O avanço coincidiu com a expansão do comércio algodoeiro e com a instalação de novos empreendimentos na cidade.
As mudanças não pararam por aí. Na primeira metade da década de 1920, Campina Grande ganhou novo Mercado Público, começou a receber calçamento com paralelepípedos e ampliou gradualmente sua estrutura urbana. O desenvolvimento do comércio e o crescimento da cidade avançavam de forma interligada.
Nesse período, muitos dos principais comerciantes também ocupavam espaços de influência na administração pública. O próprio processo de modernização urbana estava, em grande medida, relacionado às necessidades de uma economia que crescia e exigia melhores condições para funcionar.
Quando a Associação Comercial de Campina Grande foi fundada, em 2 de dezembro de 1926, portanto, encontrou uma tradição de mobilização empresarial que já vinha sendo construída havia décadas. A criação da entidade institucionalizou essa atuação coletiva e proporcionou aos comerciantes uma organização permanente para defender seus interesses e participar dos debates sobre o desenvolvimento de Campina Grande.
A história dos primeiros anos da ACCG ajuda, assim, a revelar uma característica que acompanharia a entidade nas décadas seguintes: a defesa da atividade empresarial frequentemente se confundia com reivindicações por infraestrutura e serviços que também transformavam a vida da cidade.
