O algodão teve papel decisivo na transformação econômica de Campina Grande nas primeiras décadas do século XX. O crescimento da produção e do comércio da pluma movimentou negócios, atraiu empreendedores e instituições financeiras e ajudou a consolidar a cidade como importante centro comercial do Nordeste.
No início da década de 1920, Campina Grande tinha uma população de aproximadamente 8.850 habitantes e começava a incorporar serviços importantes para sua modernização. Em 1920, a energia elétrica chegou aos principais logradouros da cidade, criando melhores condições para a instalação de novas empresas e para a utilização de equipamentos mais modernos no beneficiamento do algodão.
O setor algodoeiro, porém, atravessava um período de recuperação. A produção havia sido afetada pela praga da lagarta rosada, disseminada na Paraíba a partir de 1919 e controlada em 1922 após campanhas promovidas pelo governo. Superada a crise, a cultura voltou a ganhar força. Em 1923, a área destinada ao plantio do algodão no Estado já havia duplicado ou triplicado.
Os números dão a dimensão daquele crescimento. Em 1923, Campina Grande exportou 219.587 sacas de algodão, quantidade superior em mais de 100 mil sacas ao volume exportado três anos antes. O avanço da atividade econômica contribuiu, naquele mesmo ano, para a instalação de uma agência do Banco do Brasil na cidade.
A valorização do produto também impressionava. Em 1924, segundo o Memorial da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande – 90 anos de história, a arroba da pluma chegou a ser negociada entre 90$000 e 100$000 réis, alcançando preços até então inéditos no país.
A prosperidade atraía novos empreendedores. Entre eles estava João Rique Ferreira, que chegou a Campina Grande ainda jovem e, ao lado de João Araújo, fundaria a Araújo Rique & Cia., refinaria de óleo de algodão instalada na Rua das Areias, atual Rua Presidente João Pessoa.
O crescimento, entretanto, também evidenciava problemas que afetavam diretamente os negócios. A deficiência do fornecimento de energia elétrica, a criminalidade, as dificuldades no abastecimento de água e a elevada carga de impostos estavam entre as preocupações dos comerciantes.
Foi nesse ambiente de expansão econômica e, ao mesmo tempo, de desafios para a atividade empresarial que amadureceu a necessidade de maior organização da classe comercial. Em 1926, comerciantes se reuniriam para criar a Associação Comercial de Campina Grande, instituição que passaria a atuar
