ACCG nasceu atuante na defesa dos comerciantes e contra impostos elevados


A defesa dos interesses dos comerciantes diante da política tributária esteve presente desde os primeiros anos da Associação Comercial de Campina Grande. Criada em dezembro de 1926, a entidade rapidamente assumiu o papel de representação do setor empresarial e passou a reivindicar melhores condições para o desenvolvimento dos negócios no município.

A preocupação com os impostos, na realidade, era anterior à própria fundação da Associação. Em 1917, comerciantes campinenses já haviam se mobilizado contra uma medida do Governo do Estado que estabelecia alíquotas mais elevadas para contribuintes de Campina Grande em comparação com outros municípios paraibanos.

A reação aproximou empresários em torno de interesses comuns e é apontada no Memorial da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande – 90 anos de história como uma das sementes para a posterior criação de uma entidade representativa da classe.

Com a fundação da Associação Comercial, em 2 de dezembro de 1926, essa atuação ganhou caráter institucional. Além das questões tributárias, a ACCG passou a representar os comerciantes em assuntos diretamente relacionados à economia local, com atenção especial ao algodão, principal riqueza de Campina Grande naquele período.

Registros da imprensa da época ajudam a revelar como a nova entidade começou a exercer esse papel. Em 6 de outubro de 1928, o jornal O Século publicou matéria sobre as dificuldades enfrentadas pelo comércio algodoeiro. Na ocasião, o presidente da ACCG, Demósthenes Barbosa, e o secretário João de Souza Vasconcelos cobravam do então presidente do Estado, João Pessoa, melhores condições para os negociantes de algodão junto ao Banco do Brasil.

No ano seguinte, a questão tributária ganhou novamente destaque. Em 13 de abril de 1929, O Século noticiou uma assembleia promovida pela Associação Comercial para discutir a política tarifária adotada pelo Governo do Estado. Entre as preocupações estava o chamado imposto de incorporação, considerado prejudicial aos municípios do interior e mais favorável à capital.

A mobilização não ficou restrita às reuniões. A ACCG encaminhou um telegrama ao presidente João Pessoa solicitando a diminuição dos impostos cobrados no interior.

As iniciativas dos primeiros anos já revelavam uma característica que acompanharia a Associação Comercial ao longo de sua história: a atuação coletiva do empresariado na interlocução com o poder público. Pouco tempo depois de fundada, a entidade já se apresentava como uma voz organizada do comércio campinense diante de decisões que afetavam a atividade econômica e o desenvolvimento da cidade.

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