Um dos empresários de maior projeção na história econômica de Campina Grande, João Rique Ferreira também teve participação importante na consolidação da Associação Comercial. A partir da década de 1930, ocupou diferentes posições de liderança na entidade e esteve diretamente envolvido em iniciativas que contribuíram para fortalecer sua estrutura e ampliar sua atuação.
Nascido em Sapé, na Paraíba, em 14 de novembro de 1898, João Rique chegou a Campina Grande em 1925. De origem humilde e com apenas o curso primário, encontrou na cidade em expansão espaço para construir uma trajetória empresarial que o levaria a atuar no comércio, na indústria e, posteriormente, no setor financeiro.
Ainda em 1925, participou, ao lado de João Vasconcelos e João Araújo, da criação da Araújo Rique & Cia. A empresa começou a funcionar na Rua das Areias, atual Rua João Pessoa, e especializou-se no comércio do algodão. Posteriormente, passou por outros endereços até chegar às proximidades do Açude Velho.
Inicialmente dedicada à compra e revenda do chamado “ouro branco”, a empresa ampliou suas atividades e passou também a beneficiar o algodão, com a aquisição de prensas e descaroçadeiras modernas. O crescimento dos negócios acompanhava um período em que Campina Grande se consolidava como importante centro do comércio algodoeiro.
Na Associação Comercial, João Rique começou a ocupar posição de destaque em 1932, quando foi vice-presidente. No ano seguinte, chegou pela primeira vez à presidência. A partir daí, seu nome passou a aparecer de forma recorrente na direção da entidade ao longo das décadas seguintes.
Sua influência foi particularmente relevante durante os anos 1930. Nesse período, a Associação Comercial já se encontrava consolidada e mantinha contato com entidades congêneres de diferentes partes do Brasil, ao mesmo tempo em que atuava em questões relacionadas à tributação, infraestrutura e defesa dos interesses econômicos de Campina Grande.
Um dos principais marcos da participação de João Rique ocorreu em 1939. Ao retornar à presidência, adquiriu para a ACCG um prédio que ainda estava em construção e passou a dedicar especial atenção à implantação da sede própria da Associação Comercial. A iniciativa representou a concretização de uma antiga aspiração da entidade.
A trajetória empresarial de João Rique continuou crescendo nas décadas seguintes. Em 1954, ele adquiriu o controle acionário do Banco Industrial de Campina Grande, instituição que, segundo o Memorial da ACCG, chegou a manter agências em 13 estados brasileiros. Também exerceu diferentes funções em organizações empresariais e instituições ligadas ao desenvolvimento econômico.
João Rique morreu em Campina Grande em 28 de setembro de 1971, aos 73 anos. Sua trajetória ficou ligada tanto à expansão econômica da cidade quanto à história da Associação Comercial, instituição na qual exerceu funções de liderança por mais de duas décadas e participou de um período decisivo para sua consolidação.

