Wallig: fábrica de fogões aqueceu a industrialização da cidade, mas a chama se apagou em apenas 12 anos

A instalação da Wallig Nordeste em Campina Grande, na década de 1960, marcou uma das fases mais importantes do processo de industrialização do município. Fabricante de fogões domésticos, a empresa chegou a produzir 22,5 mil unidades por mês, exportou para o continente africano e manteve uma estrutura que chegou a gerar cerca de 1.500 empregos diretos e indiretos.

A principal página sobre a história da nossa cidade, o blog Retalhos Históricos de Campina Grande, aponta em uma matéria detalhada mostra que a implantação ocorreu a partir de um convite do então prefeito Newton Rique ao industrial Werner Wallig, principal acionista da empresa. A Wallig Nordeste integrava o Grupo Wallig, originário do Rio Grande do Sul e cuja história remontava a 1904, em Porto Alegre.

A nova fábrica foi instalada no Distrito Industrial de Campina Grande, na Rua João Wallig, 1979. O complexo ocupava uma área de 23 mil metros quadrados e foi considerado uma das mais modernas fábricas do Nordeste naquele período.

A inauguração, em 10 de agosto de 1967, contou com a presença do presidente da República, Arthur da Costa e Silva. Registros históricos mostram também o então governador da Paraíba, João Agripino, conhecendo a linha de montagem e autoridades acompanhando os operários durante a produção dos fogões.

UMA FÁBRICA DE 22,5 MIL FOGÕES POR MÊS

Beneficiada por incentivos fiscais, a Wallig Nordeste alcançou grande capacidade de produção. Em seu período de maior atividade, saíam da unidade campinense cerca de 22,5 mil fogões por mês.

Os produtos conquistaram espaço entre os revendedores e chegaram ao mercado internacional, com exportações para países do continente africano. A operação nordestina da Wallig apresentava bons resultados e tornou-se uma importante referência da indústria instalada em Campina Grande.

A dimensão da fábrica também se refletia no mercado de trabalho. Centenas de famílias passaram a depender direta ou indiretamente das atividades da empresa, fazendo com que a Wallig ocupasse lugar de destaque não apenas na economia, mas também na memória de uma geração de trabalhadores campinenses.

A CRISE QUE LEVOU AO FECHAMENTO

A trajetória começou a mudar no início dos anos 1970. Em 1972, a fabricante de fogões Cosmopolita entrou em processo de falência em São Paulo. Segundo as informações reunidas pelo Retalhos Históricos, a Wallig passou a assumir compromissos relacionados à empresa paulista e teve recursos direcionados para cobrir seus débitos, comprometendo seu próprio capital de giro.

A unidade de Campina Grande ainda conseguiu recursos da Sudene para um projeto de expansão, mas os valores teriam sido direcionados para atender às dificuldades financeiras do grupo fora da Paraíba. A situação foi agravada pelo fim dos incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado.

Houve tentativas de evitar o encerramento. Banco do Estado da Paraíba, Banco do Nordeste e Banco do Brasil buscaram alternativas de financiamento, enquanto a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba também atuou na tentativa de obter apoio governamental para a empresa.

Os esforços não foram suficientes. Em 17 de setembro de 1979, a Wallig Nordeste encerrou suas atividades em Campina Grande apenas doze anos após sua chegada. O impacto foi expressivo: aproximadamente 1.500 empregos diretos e indiretos foram perdidos. No ano seguinte, a operação da Wallig no Sul também seria encerrada.

DA PROMESSA DE REABERTURA AO CONDOMÍNIO INDUSTRIAL

O fechamento de uma fábrica daquele porte transformou a Wallig em tema recorrente na vida política e econômica da cidade. Em visita a Campina Grande, o presidente João Figueiredo chegou a prometer sua reabertura, o que não se concretizou.

O empresário cearense Edson Queiroz, ligado aos fogões Jangada, também estudou a aquisição da Wallig Nordeste, mas desistiu diante da situação financeira encontrada. O passivo da organização, conforme o levantamento histórico, alcançava 1 bilhão de cruzeiros.

Durante boa parte das décadas de 1980 e 1990, a possibilidade de reativação da antiga Wallig continuou aparecendo no debate político municipal. O enorme complexo industrial permanecia como lembrança de uma fábrica que havia desempenhado papel relevante na economia campinense.

Uma nova utilização para a estrutura surgiria décadas depois. Em 2006, os antigos galpões passaram a abrigar o Condomínio Industrial Wallig. Naquele momento, 16 empresas de diferentes segmentos passaram a utilizar o espaço para atividades como fabricação de móveis e colchões, mangueiras de PVC, peças plásticas e computadores.

Mais de meio século depois de sua inauguração, a antiga fábrica continua sendo uma referência histórica de um período em que Campina Grande buscava consolidar-se como um dos principais polos industriais do Nordeste.

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Pesquisa e redação: Lenildo Ferreira; Fonte principal das informações: Retalhos Históricos de Campina Grande.

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