Sanbra: apogeu e declínio da gigante que marcou época e fez história na economia de Campina Grande


 Durante o período em que o algodão transformou Campina Grande em um dos grandes centros comerciais do país, empresas de diferentes portes se instalaram na cidade para aproveitar a força do chamado “ouro branco”. Entre elas, poucas alcançaram a dimensão e a importância da Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S.A., a Sanbra.

Segundo levantamento publicado pelo blog Retalhos Históricos de Campina Grande, a Sanbra instalou-se na cidade em 1935. A empresa trabalhava com algodão, agave, óleos e produtos comestíveis e estava vinculada à argentina Bunge y Born, criada em 1884. A história brasileira do grupo havia começado em Santos, em São Paulo. Em 1923, a empresa adquiriu a pernambucana Cavalcanti & Cia., operação que deu origem à Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S.A.

A chegada da Sanbra ocorreu justamente quando Campina Grande experimentava as transformações proporcionadas pela expansão do comércio algodoeiro. A ferrovia havia facilitado o transporte de cargas e contribuído para consolidar a cidade como grande entreposto regional. Nesse ambiente, a instalação de uma empresa de grande porte representou um novo estágio para a economia local.

UMA GRANDE INDÚSTRIA

A Sanbra não se limitava à compra, armazenamento e comercialização do algodão. A atividade industrial tinha peso significativo em sua operação.

Em reportagem do Diário da Borborema reproduzida pelo Retalhos Históricos, o historiador Gervásio Batista Aranha destacou que a empresa investiu na transformação da matéria-prima, produzindo óleo de caroço de algodão e pasta destinada à alimentação animal. Segundo ele, entre as unidades da Sanbra espalhadas pelo Nordeste, a de Campina Grande era a maior.

A dimensão da empresa se refletia na geração de empregos e na própria ocupação urbana ao seu redor. Estabelecimentos comerciais foram surgindo nas proximidades da indústria, acompanhando a circulação de trabalhadores e a riqueza movimentada pelo empreendimento. O complexo era tão expressivo que chegou a ser descrito como uma verdadeira cidade, responsável por numerosos empregos diretos e indiretos.

Registros históricos preservados sobre a empresa mostram, entre outras estruturas, a fábrica de óleos, o escritório e os depósitos da Sanbra em Campina Grande na década de 1950.

CONCORRÊNCIA E MODERNIZAÇÃO

A presença de grandes companhias também alterou a dinâmica do mercado campinense. Além da Sanbra, outra multinacional ligada ao setor, a Anderson Clayton, instalou-se na cidade.

Relato do jornalista Severino Lopes aponta que a chegada dessas grandes empresas provocou forte impacto econômico e atraiu comerciantes e firmas exportadoras. A concorrência obrigou empresas que já operavam em Campina Grande a investir e modernizar suas estruturas para permanecer competitivas.

A Sanbra tornou-se, dessa maneira, mais que uma compradora de algodão. Sua presença representou a passagem de parte da economia algodoeira local para uma escala industrial, na qual comercialização, beneficiamento e transformação da matéria-prima estavam integrados.

DO APOGEU AO DECLÍNIO

A história da empresa em Campina Grande também acompanhou o declínio da economia algodoeira. Esse processo esteve relacionado a diferentes fatores, entre eles o avanço da produção de algodão em São Paulo e as limitações logísticas enfrentadas pela produção paraibana. Décadas depois, a disseminação do bicudo atingiria duramente as plantações e agravaria definitivamente a crise do setor.

Com a retração da atividade, a Bunge deixou Campina Grande. O encerramento daquela presença representou não apenas a saída de uma grande companhia, mas o desaparecimento de um dos símbolos de uma época em que algodão, comércio e indústria movimentavam intensamente a economia campinense.

Quando o Retalhos Históricos publicou seu levantamento sobre a Sanbra, em 2009, chamou atenção também para o estado de abandono do antigo complexo na Avenida Assis Chateaubriand, no bairro da Liberdade. As construções que haviam simbolizado emprego, produção e prosperidade permaneciam como testemunho físico daquele período.

A história da Sanbra ajuda, portanto, a compreender uma etapa decisiva da transformação econômica de Campina Grande. Sua instalação em 1935, a industrialização de derivados do algodão, a geração de empregos e a influência exercida sobre outras empresas fizeram da companhia uma das grandes referências empresariais da cidade no século XX.

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Pesquisa e redação: Lenildo Ferreira; Fonte principal das informações: Retalhos Históricos de Campina Grande.

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