Em uma Campina Grande que se afirmava como terra de oportunidades e tinha no comércio uma das principais forças de seu crescimento, três empresários se reuniram, em 1925, para iniciar um negócio que se tornaria parte da história econômica da cidade. João de Souza Vasconcelos, João Araújo e João Rique Ferreira estiveram na origem da Araújo Rique & Cia., empresa que começou modestamente no comércio de algodão e avançou para o beneficiamento e a industrialização do produto.
O surgimento da firma ocorreu em um período de grande movimentação econômica. Campina Grande ampliava sua importância como centro comercial e o algodão ocupava posição estratégica nesse processo. O Memorial ACCG 90 Anos registra que João Rique chegou à cidade justamente em 1925 e, ainda naquele ano, participou da reunião com João Araújo e João Vasconcelos que deu origem à empresa.
A Araújo Rique & Cia. começou a funcionar na Rua das Areias, atual Rua Presidente João Pessoa. Posteriormente, suas atividades foram transferidas para a Rua Sete de Setembro e, depois, para a Rua Miguel Couto, às margens do Açude Velho.
DA COMPRA E VENDA À INDUSTRIALIZAÇÃO
Na fase inicial, tratava-se de uma pequena firma dedicada à compra e revenda de algodão. O crescimento dos negócios levou a empresa a avançar na cadeia produtiva. Em vez de atuar apenas na comercialização, passou também a beneficiar o produto, incorporando prensas e descaroçadeiras modernas às suas atividades.
Essa evolução transformou a Araújo Rique & Cia. em uma usina de beneficiamento. Além do processamento da pluma, a empresa aproveitava o caroço do algodão para a fabricação de óleo, agregando uma atividade industrial ao negócio originalmente comercial. O próprio Memorial, ao tratar do crescimento de Campina Grande na década de 1920, refere-se à empresa como uma refinaria de óleo de algodão.
A expansão não ficou restrita a Campina Grande. A empresa estendeu sua atuação por boa parte da Paraíba e instalou filiais em municípios do interior. O livro relaciona unidades em Itaporanga, Catingueira, Patos, São Mamede, Taperoá e Uiraúna, demonstrando a dimensão alcançada pelo empreendimento.
As instalações da empresa às margens do Açude Velho tornaram-se parte da paisagem econômica da cidade. Uma fotografia reproduzida no Memorial mostra a Araújo Rique & Cia. na década de 1930, na área da antiga Rua Caminho da Estação, posteriormente Rua da República e atual Rua Miguel Couto. Segundo a legenda do livro, naquele mesmo local funcionaria, até 2015, a CAVESA.
Outro registro preservado pelo Memorial mostra a fachada principal das instalações e o escritório da empresa. As fotografias foram originalmente publicadas pela revista O Cruzeiro em 10 de dezembro de 1938, evidenciando que, pouco mais de uma década depois de sua criação, a firma já possuía estrutura empresarial de destaque.
EMPRESÁRIOS LIGADOS À HISTÓRIA DA ACCG
A história da Araújo Rique & Cia. também esteve diretamente relacionada a dois personagens que posteriormente presidiriam a Associação Comercial de Campina Grande. João Araújo chegou ao comando da ACCG em 1936 e retornou à presidência em 1944. João Rique, por sua vez, teve longa participação na instituição e se tornou um dos empresários mais influentes da cidade.
A sociedade entre João Araújo e João Rique permaneceu durante muitos anos, mas posteriormente foi desfeita. João Araújo seguiu caminho próprio e criou a João Araújo & Cia. O Memorial não informa a data exata em que ocorreu essa separação.
A empresa, entretanto, continuou sua trajetória. Em outro momento, Raimundo Gerardo Lopes Freire, que mais tarde também presidiria a ACCG, tornou-se sócio da Araújo Rique & Cia. O livro o identifica como economista e antigo executivo da multinacional americana Anderson Clayton, igualmente ligada ao beneficiamento de algodão.
CONTINUIDADE DO EMPREENDIMENTO
A continuidade do empreendimento ultrapassou ainda a geração de seus fundadores. O Memorial registra que, após a morte de João Rique, em 1971, a firma passou a se chamar Araújo Rique Comércio S/A, sob a presidência de seu filho Nivaldo Vieira Rique.
A trajetória da Araújo Rique & Cia. representa, assim, uma característica marcante do desenvolvimento econômico de Campina Grande no século XX. Nascida como uma pequena casa de compra e venda, a empresa acompanhou a transformação de uma economia essencialmente comercial para atividades de beneficiamento e industrialização, expandiu-se pelo interior paraibano e atravessou diferentes gerações.
Sua história ajuda a compreender também a relação entre o crescimento das empresas e o fortalecimento do associativismo empresarial campinense. Entre seus sócios estiveram João Araújo, João Rique e Raimundo Gerardo Lopes Freire — três homens que, em diferentes momentos, chegariam à presidência da Associação Comercial de Campina Grande.
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Lenildo Ferreira
