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| João Araújo e a esposa, Clotilde Nóbrega Araújo |
A história de João Araújo em Campina Grande esteve fortemente ligada ao algodão, atividade que transformou a economia da cidade durante a primeira metade do século XX. Empresário de perfil empreendedor, participou da criação de uma das firmas que se destacaram no setor, buscou modernizar seus negócios com equipamentos importados e posteriormente constituiu sua própria empresa. Essa trajetória também o levou à Associação Comercial de Campina Grande, que presidiu em dois momentos.
João Araújo nasceu em 5 de fevereiro de 1897, em Mulungu, na Paraíba. Filho de Ernesto Joaquim de Araújo e Alexandrina Francisca de Moura, casou-se ainda jovem com Clotilde Nóbrega Araújo. O casal teve seis filhos: João Araújo Filho, Jefferson, Fernando, Rodrigo, Terezinha e Grimoaldo.
Sua principal atividade empresarial desenvolveu-se em Campina Grande, no momento em que a cidade se consolidava como importante centro de compra, beneficiamento e comercialização do algodão.
Em 1925, João Araújo participou, ao lado de João Rique Ferreira e João de Souza Vasconcelos, das articulações que deram origem à Araújo Rique & Cia. A empresa começou a funcionar na Rua das Areias, atual Rua Presidente João Pessoa, e posteriormente teve instalações na Rua Sete de Setembro e na Rua Miguel Couto, nas proximidades do Açude Velho.
A firma inicialmente atuava na compra e revenda do algodão, mas avançou para o beneficiamento do produto. O Memorial ACCG 90 Anos registra a Araújo Rique & Cia. como uma usina de beneficiamento que também produzia óleo a partir do caroço do algodão. A empresa ampliou seu raio de atuação pela Paraíba e chegou a manter filiais em municípios como Itaporanga, Catingueira, Patos, São Mamede, Taperoá e Uiraúna.
João Araújo demonstrou interesse particular pela modernização da atividade. Durante a Segunda Guerra Mundial, tomou a iniciativa de importar da Europa uma moderna usina destinada ao descaroçamento do algodão. O investimento, entretanto, sofreu um duro revés: o navio que transportava o equipamento afundou quando já se aproximava de seu destino, causando grande prejuízo ao empresário.
O episódio não interrompeu sua atuação. João Araújo continuou no comércio algodoeiro e manteve durante muitos anos a sociedade com João Rique. Posteriormente, os dois desfizeram a parceria e Araújo criou uma empresa própria, a João Araújo & Cia.
A projeção alcançada no meio empresarial aproximou-o naturalmente da Associação Comercial. Antes mesmo de presidi-la, João Araújo já integrava sua direção. Em 1935, durante a presidência de João Leôncio de Castro, ocupou o cargo de tesoureiro da entidade. No ano seguinte, foi eleito presidente da ACCG.
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| Fachada principal da instalação de Araújo Rique & Cia |
Presidência da ACCG
João Araújo assumiu em 1936, tendo Abelardo Fonseca como vice-presidente. Sua gestão ocorreu em um período de disputas internas na Associação e de importantes preocupações do comércio com a tributação. Durante seu mandato, a entidade solicitou ao prefeito Vergniaud Wanderley um terreno para construir sede própria, mobilizou-se pela redução de impostos sobre mercadorias exportadas e contratou um advogado para discutir judicialmente a cobrança do Imposto de Rendas Mercantis.
No final daquele ano, João Araújo foi reeleito para 1937. A reeleição, porém, contrariava uma mudança estatutária aprovada durante a gestão anterior, que proibia mandatos presidenciais consecutivos. A escolha acabou anulada e uma nova eleição, realizada em abril de 1937, levou João Rique novamente à presidência.
João Araújo retornaria ao comando da Associação oito anos depois. Em 1944, voltou a ocupar a presidência, desta vez tendo Abelardo de Aquino Fonseca como vice.
Além da atuação empresarial e na ACCG, João Araújo participou de outras iniciativas da sociedade campinense. Pertencia à Loja Maçônica Regeneração do Norte, de João Pessoa, e esteve entre os fundadores, em 1923, da Loja Maçônica Regeneração Campinense. O Memorial também registra sua atuação filantrópica, com colaboração junto ao Asilo de Mendicidade e à Sociedade Deus e Caridade, dirigida pelas irmãs de São Vicente de Paulo.
João Araújo morou durante muitos anos na Rua João da Mata e era descrito como uma pessoa bem relacionada. Realizava festas em sua residência e também na praia de Ponta de Mato, em Cabedelo, viajava regularmente para o Sul e o Sudeste e participava ativamente dos carnavais de Campina Grande, ornamentando veículos para os tradicionais corsos ao lado da esposa e dos familiares.
Mudança para o Rio de Janeiro
Posteriormente, deixou Campina Grande e transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde deu continuidade aos negócios. Morreu repentinamente em 2 de julho de 1947, de forma prematura, aos 50 anos.
A trajetória de João Araújo retrata uma geração de empresários cuja história pessoal se confundiu com o período de expansão econômica de Campina Grande. Do comércio e beneficiamento do algodão à tentativa de incorporar novas tecnologias, da Araújo Rique & Cia. à criação da João Araújo & Cia., sua vida foi marcada pelo empreendedorismo. Essa presença no mundo dos negócios acabaria se projetando também sobre a Associação Comercial e outras instituições da cidade, fazendo dele um dos personagens da consolidação da classe empresarial campinense na primeira metade do século XX.
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Lenildo Ferreira

