Comércio foi a principal "mola propulsora" do progresso de Campina Grande

Feira livre na Rua Maciel Pinheiro (Anos 20) - Créditos no final do texto

Muito antes de se destacar pela indústria e pelos serviços, Campina Grande construiu sua importância regional a partir do comércio. O livro Memorial ACCG 90 Anos sintetiza esse processo ao afirmar que “o comércio foi a grande mola propulsora do progresso de Campina Grande”, resultado, sobretudo, de uma localização privilegiada que transformou a cidade em ponto de encontro entre diferentes regiões.

Situada numa zona de transição, Campina estava no caminho de rotas que ligavam o Brejo, Sertão, Seridó, Cariris Velhos e Litoral. Duas importantes estradas sertanejas, a do Espinharas e a do Seridó, convergiam para a cidade. Por esses caminhos circulavam boiadas vindas dos sertões da Paraíba, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, além de cereais e outras mercadorias. Campina tornou-se, assim, um entreposto comercial entre o interior e centros maiores, especialmente Recife.

A feira foi uma das principais expressões dessa vocação. Em 1864, com a conclusão de um novo mercado, a feira de gêneros alimentícios foi transferida para suas proximidades. Cerca de 20 casas comerciais também foram erguidas na região, reunindo bodegas, mercearias, quitandas, casas de arreios e redes e armazéns. A área correspondente à atual Maciel Pinheiro consolidava-se como centro comercial. Naquele período, a feira semanal atraía marchantes e boiadas de diferentes partes da Província e de estados vizinhos.

Outro salto ocorreu com o algodão. A partir de 1860, o comércio do produto ganhou impulso, processo favorecido pela Guerra Civil dos Estados Unidos e pela procura das fábricas europeias por novos fornecedores. Campina passou a ocupar posição estratégica na circulação dessa produção.

No início do século XX, uma transformação ampliou ainda mais essa vantagem: a chegada do trem, em 1907. A condição de ponta de trilho acelerou o escoamento do algodão, facilitou a entrada de mercadorias e intensificou a chegada de comerciantes e trabalhadores.

A expansão foi extraordinária. Na primeira década do século XX, segundo o Memorial, o município tornou-se a principal economia da Paraíba e chegou à posição de maior produtor de algodão do Brasil. Durante as safras, mais de 500 cavalos carregados de sacas podiam entrar na cidade aos sábados, enquanto trens partiam levando algodão. Surgiram armazéns, estruturas de beneficiamento, casas atacadistas e varejistas e profissões diretamente ligadas ao produto. Firmas nacionais e estrangeiras instalaram-se na cidade.

O dinheiro movimentado pelo comércio também impulsionou a expansão urbana e criou novas demandas por estradas, água, energia, transportes e serviços públicos. Mais tarde, as rodovias e os caminhões ampliariam ainda mais a área de influência da praça comercial campinense.

Campina Grande cresceu, portanto, como cidade de negócios. Antes das grandes indústrias e da diversificação econômica que viriam depois, foram as feiras, os caminhos comerciais, os armazéns, o algodão e seus comerciantes que movimentaram capitais, atraíram população e ajudaram a transformar um ponto de passagem do interior em um dos principais centros urbanos e econômicos do Nordeste.

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Lenildo Ferreira (Imagem: Blog Retalhos Históricos de Campina Grande - colorida pelo Memória Empresarial)

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